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  • Sonia Antunes

Comunicar para o umbigo: como evitar?

Por vezes estamos repletos de ideias e projetos, queremos colocar as coisas em marcha e vamos logo falar com as pessoas que necessitamos para poder implementar as ações. Quando as encontramos, estamos 3 horas a falar com elas, cheios de entusiasmo.

E no final o que aconteceu? O interlocutor não percebeu onde queríamos chegar! Conclusão, estivemos a falar para nós próprios.

Neste artigo vou revelar como evitar comunicar para o umbigo, para aumentar a eficácia de uma comunicação assertiva.



A tentação de cair numa comunicação unilateral é grande, porque nós sabemos o que queremos e estamos a ver “the big picture” à nossa frente. Depois falamos de acordo com esse conhecimento adquirido e esperamos que o outro interaja na mesma proporção. Só que isso não acontece porque o interlocutor não está na posse da mesma informação que nós.

Assim, o grande desafio para não comunicar para o umbigo é ter presente a seguinte premissa:

O outro não está dentro da nossa cabeça, logo não conhece todo o envolvimento da informação que possuímos.

Vamos imaginar que queremos passar a nossa ideia a um estranho. Nesta situação é fácil perceber que temos de contar toda a história desde o início:

  • Apresento-me

  • Digo o que faço

  • Explico que tive uma ideia que começou de determinada forma

  • Desenvolvo a ideia

  • No final pergunto a sua opinião

Quando transmitimos as nossas mensagens ao outro, o processo é similar. Ou seja, há

  • um início (enquadramento)

  • um meio (desenvolvimento da ideia)

  • uma conclusão (esclarecimento de dúvidas e feedback)

E isto tudo de uma forma clara e objetiva.

Então, como é que podemos fazer para evitar comunicar para o umbigo e aumentar a eficácia de uma comunicação assertiva?

1. Reunir toda a informação necessária sobre o tema/ideia: emails, propostas, folhetos, etc., que sirvam de suporte à comunicação.


2. Rever toda esta informação previamente antes de reunir com o interlocutor para evitar:


a. Situações do tipo: onde é que isso está?, Eu já vi isso algures… onde é que está? – origina perda de tempo e quebra no foco.


b. Desorganização mental. Quando relemos tudo o que há sobre aquele tema que queremos falar, as nossas ideias ficam mais claras e conseguimos arranjar uma linha condutora para comunicar.


c. Falha nos pormenores. Quando relemos a informação garantimos que não nos esquecemos de nada importante ou, relembramos pormenores que já não nos recordávamos e que podem interferir no processo da condução da reunião.


3. Se necessário, fazer um guião para seguir durante a reunião:


a. Apresentar o tema: Vamos falar de….


b. Enquadrar o tema: Este tema vem na sequência da nossa última reunião na data tal / este tema surgir a partir da análise da proposta X / este tema surgiu porque tivemos necessidade de alterar a nossa estratégia por causa de…


c. Desenvolver o tema: para que serve, como se processa, qual a sua finalidade, quem vai atingir, que intervenientes são necessários para a colocação em prática, quais os timings associados.


4. Ter um bloco para tomar eventuais apontamentos durante a reunião.


5. Perguntar ao interlocutor se há dúvidas ou questões.


6. Ouvir a opinião do interlocutor sobre o tema.


7. No final, fazer um resumo da reunião, esclarecer o que é que é preciso fazer e identificar o próximo passo.


Comunicar para o umbigo é quando comunicamos apenas para nós próprios, porque por mais que estejamos horas a falar para o interlocutor, se não transpusermos o que está na nossa mente para uma moldura de comunicação estruturada e assertiva, o interlocutor não vai perceber a nossa mensagem.


Ao garantirmos efetivamente o processo de comunicação:

  • Diminuímos o tempo despendido nas reuniões, libertando espaço para outras tarefas

  • Estamos efetivamente a produzir

  • Aumentamos a eficácia dos resultados


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